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Governos de Brasil e Estados Unidos acertaram a criação de um grupo de trabalho para debater tarifas e barreiras comerciais, após reunião ministerial em Milwaukee.
O governo brasileiro e a administração dos Estados Unidos decidiram estabelecer um grupo de trabalho conjunto para debater as tarifas aplicadas por Washington a produtos do Brasil e outras barreiras que afetam o fluxo comercial entre os dois países. O acordo foi costurado durante uma reunião ministerial realizada em Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin, à margem dos encontros de ministros do Comércio do G20.
O encontro presencial reuniu os ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. A conversa deu seguimento aos entendimentos diplomáticos mantidos em alto nível pelas chancelarias das duas maiores economias do hemisfério ocidental.
De acordo com nota divulgada pelas pastas brasileiras, a expectativa é de que o governo norte-americano envie, nas próximas semanas, um documento formal contendo a proposta de escopo para os trabalhos do grupo. Esse documento deve detalhar quais pontos tarifários e não tarifários entrarão na pauta de negociações bilaterais.
As tratativas ocorrem em um cenário marcado por medidas protecionistas adotadas por Washington, incluindo sobretaxas implementadas ao longo do ano sobre determinados itens exportados pelo Brasil. A imposição de barreiras gerou mobilização do setor produtivo e do governo brasileiro em busca de soluções diplomáticas e canais multilaterais para assegurar a competitividade dos produtos nacionais.
A criação do grupo de trabalho é vista por diplomatas e analistas de comércio exterior como um passo importante para abrir um canal direto de descompressão e negociação técnica. Contudo, autoridades de ambos os países ressaltam que o avanço efetivo dependerá do teor das propostas que a Casa Branca apresentará nas próximas semanas para solucionar o contencioso tarifário.
Enquanto o documento com as diretrizes de escopo não é formalmente protocolado, equipes técnicas do Itamaraty e do MDIC seguem monitorando os desdobramentos e avaliando os reflexos das sobretaxas na balança comercial. O objetivo central da chancelaria brasileira é mitigar os impactos sobre os exportadores do país e restabelecer previsibilidade nas trocas bilaterais com o mercado norte-americano.
Agência Gov / Folha de S.Paulo