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O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, impulsionado pelo fim do bônus na tarifa de energia elétrica e pela retomada da alta nos preços dos alimentos, segundo o IBGE.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,70% em setembro, revertendo o cenário de deflação de 0,32% observado em agosto. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que o resultado veio acima das principais expectativas do mercado financeiro para o período.
Com o avanço apurado no mês, o indicador que mede a inflação prévia acumulou alta de 4,47% nos últimos 12 meses, aproximando-se do teto da meta estabelecida pela política econômica. A aceleração acendeu o alerta entre analistas e repercutiu diretamente nas projeções econômicas divulgadas recentemente pelo Banco Central através do Boletim Focus.
O principal vetor de pressão sobre o IPCA-15 em setembro concentrou-se no grupo de habitação, que registrou forte alta influenciada diretamente pelo término do desconto temporário conhecido como bônus de Itaipu nas contas de luz. Com a normalização da tarifa, a energia elétrica residencial encareceu 7,42% no mês, exercendo o maior impacto individual sobre o índice geral.
Além da energia, o segmento de alimentação e bebidas voltou a registrar aumentos após dois meses consecutivos de trajetória em baixa, penalizando o orçamento das famílias nas áreas urbanas pesquisadas. Outros itens, como passagens aéreas e despesas pessoais, também apresentaram variações positivas expressivas que impulsionaram a prévia inflacionária acima do teto das estimativas colhidas por analistas econômicos.
A reação do mercado financeiro aos dados do IBGE foi imediata. Na sequência da divulgação do IPCA-15, as projeções coletadas pelo Boletim Focus revisaram para cima as expectativas para a inflação oficial consolidada de 2026, projetando o encerramento do ano próximo a 4,99%. Em contrapartida, as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registraram ligeiras revisões para baixo consecutivas.
Especialistas apontam que o comportamento dos índices de preços reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária. A taxa básica de juros, a Selic, permanece mantida em patamares restritivos pelo Banco Central como principal instrumento de contenção da escalada inflacionária, buscando assegurar a convergência das expectativas para os próximos anos.
IBGE / Agência Brasil