Linha de produção em fábrica industrial no Brasil

Atividade da indústria brasileira recua em setembro e atinge menor nível em quase três anos e meio

O setor industrial brasileiro registrou nova contração em setembro de 2026, pressionado pela fraqueza da demanda e cautela pré-eleitoral, segundo dados da S&P Global.

A atividade industrial brasileira aprofundou a sua contração no mês de setembro, atingindo o nível mais baixo em quase três anos e meio. É o que aponta a pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgada nesta quinta-feira (1) pela S&P Global.

De acordo com o levantamento, o indicador principal da indústria caiu para 44,8 pontos em setembro, ante 46,3 pontos registrados em agosto. Como a marca de 50 pontos separa o território de expansão da contração, o resultado sinaliza a maior deterioração nas condições operacionais do setor manufatureiro desde abril de 2023.

Fatores de pressão e impacto da demanda

Participantes da pesquisa apontaram que a retração foi intensificada por um enfraquecimento acentuado da nova demanda interna e externa, além de pressões competitivas e do ambiente de incerteza política associado à reta final da corrida presidencial de outubro de 2026. A retração da produção industrial completou o seu quinto mês consecutivo de queda.

Apesar do cenário desafiador para a fabricação e para os novos pedidos, o componente de expectativas futuras apresentou melhora em relação ao mês anterior. Os empresários consultados demonstraram cauteloso otimismo quanto ao horizonte de 12 meses, sustentado pela expectativa de que a estabilização do cenário macroeconômico e o desencalhe de gargalos ocorram após o pleito eleitoral.

Contexto macroeconômico e reflexos nos mercados

O enfraquecimento da atividade manufatureira ocorre em um momento em que o Banco Central e agentes de mercado monitoram de perto os sinais de desaceleração gradual da economia brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu recentemente a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano, em um esforço para equilibrar o controle inflacionário e mitigar os impactos sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Analistas econômicos destacam que o comportamento da indústria reflete o peso do custo do crédito elevado e da cautela de empresas e consumidores diante de um cenário global ainda volátil, marcado por oscilações nos preços de commodities e juros de longo prazo em economias avançadas.

S&P Global / Reuters

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